terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Helena

Helena Lindsay Willians desde pequena se ressentiu por não possuir o mesmo sobrenome do homem que conhecia por pai: Robert Wolk mcKennan. Isso piorou quando começou a freqüentar a escola; pois ao referir-se a seu pai, a maioria de seus colegas duvidava de que estivesse dizendo a verdade, pois Robert era celebre, fazia filmes para TV e ela nem sequer era parecida com ele e muito menos com a esposa do ator.

Helena acabava brigando com muitas crianças e por isso ficava isolada; perseguida por garotos que a xingavam e humilhavam. Isso foi assim até que aprendeu a não tocar mais no assunto sobre seu pai.
Quando era pressionada a dizer alguma coisa sobre sua família, dizia que sua mãe estava em tratamento fora do país e que seu pai morrera quando era recém nascida.
-Com quem você vive? -Perguntavam.
Ela respondia que vivia com os tios maternos.

Houve uma vez em que Robert anunciou que faria uma visita a escola da filha, Helena fingiu-se de doente para não precisar ir.
Mas mesmo assim a história veio a tona, pois Robert apareceu na escola do mesmo jeito e falou sobre ter uma filha que era aluna daquela instituição.
-Quem é sua filha? -Perguntaram outros pais.
E então tudo se  esclareceu.
Robert sofreu ao imaginar que Helena não revelara ser sua filha por algum motivo se envergonhar dele e na mesma hora acrescentou isso ao fato de ela “adoecer” justamente no dia de uma festa para os pais dos alunos.


Analisando o herói vilão





Nunca mais vou temer a preocupação por estar compondo uma história sem significado e importância.
O território do pensamento, agora eu sei, é vasto e sobre tudo real. Vivo!
Quando digo “Vivo“, sinto a presença do efêmero nessa coisa viva; assim como a presença da morte na própria vida.

As histórias que esses personagens vivem e os próprios personagens, são nesse momento, reais.
Reais no sentido de ser, de respirar, de transudar, de deglutir, de palpitar e pulsar a imperceptível fímbria dos indivíduos biográficos mortais de que me utilizei para criá-los. Não é algo que eu deseje que funcione assim. Apenas é.

Por que é?

Porque “ser” um indivíduo não representa soberania.
Possuir uma biografia mortal oficial, em minha percepção, é limitado.
A pessoa é mais do que está vivendo dentro da esfera de sua realidade.

Esses indivíduos biográficos mortais (inspiração para esse trabalho) contém e estão contidos na tessitura das possibilidades infinitas e sobre tudo, na tessitura da improbabilidade, porque fronteiras não são reais. Fronteiras corporais não são reais.
O individuo não é apenas um individuo.

Eu descobri que pensamento é a matéria prima que nos faz. E o pensamento não está encerrado em fronteiras de individualidade.
Assim o pensamento é também o veículo que ultrapassa fronteiras que encerram uma identidade. Ao utilizar o pensamento para  a criação desses personagens eu os torno indivíduos. Apenas o fato de estar tornando-os reais, a partir da matéria prima do meu pensamento é fascínio suficiente por uma existência inteira.
Quanta bobagem...

Resumindo; o que quero dizer é que ao criar histórias a partir desses indivíduos biográficos mortais, eu me torno também parte desses indivíduos. Eu sou aquela parte da história de suas próprias vidas que eles mesmos desconhecem; assim como particularidades e ações e escolhas que teriam se vivessem em contextos diversos do quais vivem, se conhecessem pessoas diferentes das quais conhecem, ou que se tivessem de se submeter a situações radicalmente novas ( o que não é impossível que aconteça). Eu sou, pois meu pensamento É.



Robert Wolk mcKennan um homem que tem necessidade de ter todos a sua volta.
Ao dar-se conte de que sua esposa Carol retoma o rumo da própria vida depois de sua separação, Robert fica confuso.
Chega em sua antiga casa e surpreende a ex esposa com os cabelos negros e com claros sintomas de felicidade. Constatar isso o tira do eixo e ele passa a pressioná-la a ponto de ambos discutirem e ele terminar por agredi-la!
Ele se desculpa, sentindo-se profundamente culpado e arrependido, mas infelizmente esse não será o último episódio de agressão de Robert contra Carol...


segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Uma amostra...

Aqui uma palinha das novas atualizações desse texto, people. Enjoy it :)

(...) Estava com os pensamentos tão misturados que não se deu por conta de que Robert já chegara em casa e estava de pé, próximo a ela. Quando ela se virou, pensando estar sozinha, tomou um susto:
-Bob...
Ele aproximou-se. Claudia achou-o com aspecto alterado; ele bebera, provavelmente Whisky:
-Não quis esperar que eu te ajudasse no banho, querida? -Sua voz saiu lasciva.
-Robert, as coisas entre a gente não vão ser mais assim...
-Assim, desse jeito, querida?
Ele puxou-a para perto dele e Claudia o esbofeteou na mesma hora.

-Eu não quero que durma mais nesse quarto, Bob.

As palavras dela o paralisaram. Aquela bofetada inesperada o deixou furioso. Claudia agira por impulso e então começou a se arrepender na mesma hora. O rosto dele parecia ferver, de tão enrubescido. Ela viu aquela sobrancelha dele se altear. Achou que fosse fazer xixi nas calças de puro medo de uma provável reação dele em igual ou maior grau...
-Fique com o quarto, querida. Mas fique com o dono do quarto também!
Ele a beijou furiosamente. Ela não conseguiu impedi-lo. Agora era também questão de orgulho para ele. Ela achava que se livraria dele como se ele fosse um pano de chão?
-Bob... Bob, para! Não... Não quer fazer isso! Para!
-Exatamente, querida. Eu não quero. Não assim.Vire-se.
-O que?
Claudia sentiu muito medo. Aquela situação parecia um pesadelo.
-Você entendeu.
Ela tremia a ponto de não conseguir respirar direito. O coração aos pulos.
-Por favor... Robert, não faz isso...
Passou minutos intermináveis entre o olhar cruel que ele lhe deu em resposta e o momento em que começou a falar: (...)


domingo, 22 de dezembro de 2013

mais histórias e ciclos de amor...


Robert passou boa parte de sua infância na residência de sua avó materna viúva. Aquele tipo de propriedade antiga, construída em pedra; com muitos cômodos; cozinha externa à residência; baia para cavalos; canil;  calçamento de pedra; jardins abertos, outros murados...
Sua mãe era filha única de uma família com tradição, renome e dinheiro. E o nome da mãe de Robert era Elba.
Elba conheceu Bishop,  o pai de Robert, quando era ainda estudante, aos 17 anos.

Em uma gazeada de aula com amigas, foram sentar-se e fumar escondido em um banco do mirante, que dava para o cais do porto.
Estavam habituadas a fazer isso nos momentos em que a vigilância relaxava e tinham aulas práticas de costura. Aulas que Elba considerava perda de tempo, pois fora obrigada a aprender a costurar, assim como todas as meninas de sua época; treinadas, desde cedo, nas artes de etiqueta e técnicas domésticas.

Em uma dessas visitas ao mirante, Elba propôs a suas amigas descerem até o cais par ver os barcos de perto. Acabou indo sozinha, pois as outras moças acharam a ideia arriscada. Haviam muitos marinheiros, estivadores e pessoas suspeitas de outros lugares. Poderiam se dar mal...

Elba exasperou-se e disse já estar enfastiada de ter medo de tudo e de ter de viver atrelada a um sistema de regras formal e sem sentido; na verdade, para ela, uma gaiola de ouro onde viviam expostas para a sociedade como pássaros bonitinhos e que jamais experimentaram o vôo a deriva e livre. Recebeu recriminações e pedidos desesperados para que desistisse da idéia de ir sozinha, mas não foram suficientes.

Desceu até as docas e o sol ia banhando seu rosto, enquanto cheiros exóticos e marítimos inflamavam suas narinas e sua imaginação. Os sons de falas estrangeiras, a movimentação frenética e a proximidade do mar lhe deram vontade de chorar. Caminhou a esmo, hipnotizada pelas canções e por ver de perto o tamanho das embarcações, com marinheiros ou pescadores correndo e escalando acrobaticamente, equilibrados em alturas de onde o menor escorregão seria fatal.
-Jane Austin?
Um homem alto vestindo capote azul escuro falou-lhe aquilo, saindo lentamente das sombras. Sua voz era marcante.
-O que? - Ela; perplexa. Sentindo o coração disparar, mas tentando buscar o auto controle.
-Jane Austin! “A Abadia de Northanger”! O livro que traz junto a você...
Elba demorou a retomar o fluxo de seu próprio pensamento, ao contemplar aquela figura diante de si: Era um homem amedrontador e ao mesmo tempo fascinante.
Em certo momento Elba deu-se conta de que não queria passar por tola. Mal conseguiu balbuciar:
-Na verdade é de uma amiga... Eu... Esqueci de devolver-lhe... Ela...
-Uma das moças que estava com você?
Elba surpreendeu-se com a pergunta. Sentiu medo. Talvez as meninas estivessem certas, afinal. Talvez não tenha sido uma boa idéia descer até aquele lugar sozinha.
-Não fique com medo, não vou te machucar. Na verdade, pretendo ser sua escolta...
-Escolta?
-Você  não percebeu ainda, e eu te aconselho não olhar para trás agora, mas dois sujeitos estão seguindo você desde que desceu aqui. E não são dois indivíduos dos mais bem intencionados...
O sangue de Elba gelou. Aquela informação a fez perder o ar. Sentiu-se paralisar.
-Meu, meu Deus...
Suas pernas não lhe permitiam se mover, então o homem aproximou-se, encobrindo-a com sua sombra. Tinha o cheiro do mar... Ele deu-lhe o braço gentilmente e a desmobilizou. Começaram a caminhar lado a lado...

Depois de acalmar-se e ver-se segura na área mais alta, Elba, finalmente, conseguiu iniciar uma conversa e saber o nome daquele homem.
Bishop mcKennan. Esse era o nome que Elba passaria a escrever no destinatário de centenas de cartas que ela lhe enviaria, ou deixaria de enviar, endereçadas a diferentes portos do planeta Terra; numa troca de impressões com ele sobre literatura, injustiças do mundo, roteiros estranhos de sonhos...

Um ano se passou e ela engravidou daquele homem do mar. Aquilo devastou sua família. Seu pai a baniu e disse que a deserdaria. Não permitiu nunca mais que se aproximasse de casa novamente. Mas depois da morte do patriarca, sua mãe quis conhecer o neto e não conseguiu cumprir a ordem do marido dada em vida.
De fato, após sua morte, ao abrir-se seu espólio, foi constatada que toda a fortuna havia sido gasta e só o que restou a viúva foi a extensa propriedade, mais semelhante a um castelo, com necessidade de inumeráveis reparos e a companhia de dois empregados devotados que eram a pouca família restou.
As visitas de Elba e de seu filho tornaram-se cada vez mais freqüentes, pois Bishopp que a princípio tentara levar uma vida normal  e trabalhar em terra, depois de alguns meses não resistiu ao chamado do mar e retornava a esposa e ao seu pequeno filho somente de tempos em tempos...

sábado, 21 de dezembro de 2013

Mais conversas...



Carol e Robert se conheceram na universidade, por intermédio de Noah Greensberg. Robert tinha 25 anos, Carol 21.
Dois anos mais tarde Carol deu a luz a Ewan mcKennan, num parto bastante difícil; tendo Carol de ser submetida a uma cesariana.


A segunda gestação de Carol, quatro anos mais tarde, resultou na perda do bebê e na revelação de que Carol não poderia mais engravidar.
Robert soube da morte da mãe de sua antiga namorada Lindsay,  que ocorrera durante o parto de uma menina.
Robert ouviu do velho pai de Lindsay que esse não se achava em condições de dar a pequena bebe uma criação adequada; seus longos anos de dependência alcoólica lhe trouxeram problemas de saúde. Não achou justo tirar da menina a oportunidade de ser criada por uma família estruturada  decidindo destiná-la à adoção já que não tinham outros familiares.
Robert quis adotar a menina, mas não poderia já que o sistema não funciona assim. Deveria obrigatoriamente respeitar uma lista de espera onde outros casais já aguardavam e tinham, portanto, prioridade.
Robert desesperou-se ao perceber que perderia a oportunidade de trazer a menina para sua família. Foi aconselhado então por seus advogados a lançar mão de tutorá-la. Assim poderia criá-la, sem no entanto adotá-la formalmente.

Conhecem Claudia, ele tem 37 e Carol 33. Claudia tem 23.

Robert tinha 1,83 cm de altura;Carol 1,70 e Claudia Drury... 1,58 cm!


A partir de seu confronto com Carol, Claudia passou a percebê-la como uma manifestação viva da deusa da destruição. A deusa indu Khali. A que ao mesmo tempo em que é criadora e nutriz é também potencialmente capaz de devastar e trazer a morte.


Robert havia se apaixonado por Claudia. E a cada dia que passava via que não conseguiria sufocar esse sentimento.
Desde que perdera Lindsay, nunca mais amara mulher alguma com força tão tremenda, tão verdadeira.
Embora seguisse vivendo ao lado de Caroline, de quem gostava e com quem sentia-se feliz, Robert soube que ele e Claudia teriam de ficar juntos. Isso desde o momento em que a beijou. Não podia enganar a si mesmo.
Estando em Los Angeles decidiu que apostaria tudo. Proporia que Claudia ficasse junto dele e de sua família, ou ele simplesmente ameaçaria abandonar Carol para ir atrás dela estivesse aonde estivesse. Se colocaria em suas mãos.  Não permitiria que seu amor escapasse.
Não poderia viver sem a presença dela. Achava que desde que perdera Lindsay, sua vida fora parcial, sem plenitude. Mas ao conhecer Claudia sentiu-se despertado, renascido. Vivo. Bobo. Cheio de vontade...
Mal conseguia respirar até o momento de vê-la. Sentia o corpo todo eletrificar cada vez que a tocava, que a beijava. Sentia um vazio doloroso quando ela não estava perto. Sem vontade de nada quando ela não estava perto.
Precisava daquela mulherzinha em sua vida. Precisava abraçá-la, precisava dela o tempo todo, precisava ter filhos com ela.
Precisava desesperadamente envelhecer ao lado de Claudia.

Mas então a doença de Carol o arremeça brutalmente para a realidade. Para o medo da morte mais uma vez. Lhe faz pensar no quanto envelheceu. Lhe faz sentir-se feiamente egoísta. Culpado. Sem direito a sonhos.
Claudia passa a ser um bálsamo para seu medo. A tábua em que tenta se agarrar e que no fundo já sabe que mais cedo ou mais tarde, se quebrará.


O que motivou Claudia a partir?

A principio, sabendo estar grávida, segue o conselho de Mike Rolland e decide partir para Los Angeles para falar pessoalmente com Robert. Sofre porém um aborto. Isso durante o vôo.
 Tudo então desmorona.
 Não conseguindo contatar Robert imediatamente, fala com Carol através de um telefonema  dizendo-lhe onde está, sem contudo querer alertá-la sobre o que lhe ocorreu.
Carol a obriga a encontrar-se com ela.
Claudia então acaba abrindo o coração e conta-lhe sobre o aborto que sofreu.
 Nesse momento sua amizade é despedaçada.
Quando descobre estar ainda grávida, pois havia um segundo bebê, Claudia decide revelar a notícia a Robert, mas desiste. Pondera sobre o risco de sofrer um segundo aborto, avalia que a ausência de Robert em sua vida e na vida de seu filho será constante, pois se sente só e abandonada ao ligar insistentemente no dia em fica sabendo do segundo bebê.
Robert demonstra-lhe sua face autoritária, ao saber que ela pretende realizar um trabalho no Brasil, e Claudia entra em pânico frente as ameaças de Noah Greensberg.
Obrigada queridos amigos que acompanharam essa publicação. Um texto ficcional de minha autoria... Enjoy it!
Abraços a todos.